#10 | Aprender a morrer, reaprender a criar: uma pausa necessária
A Morte + O Renascimento
Em uma entrevista para o The Guardian, Cameron Winter – vocalista, multi-instrumentista e compositor da banda Geese – menciona que seu maior desafio como letrista é levar sua consciência a um nível de interesse coletivo. Nas palavras dele:
“Meu fluxo de consciência habitual é: ‘preciso fazer xixi. Preciso abastecer o carro’. Não há muito o que escrever sobre isso. Então, o aspecto mais difícil é levar sua consciência a um ponto em que o fluxo seja interessante.”
Qualquer fluxo de consciência é tão interessante quanto desinteressante; creio que depende muito mais da audiência do que do fluxo, em si. Autocentrado por natureza, sua intersecção com a coletividade tem muito mais a ver com o fato de que nós, conjuntamente, perseguimos os mesmos símbolos do que com uma condição natural de intercambialidade.
Meu fluxo de consciência anda longe de estar o que eu consideraria interessante há um tempo já. É uma noção um pouco cruel, esta, pois quer dizer que minha vida está faminta daquilo que nutre minha criatividade de tal modo que haja um fluxo interessante a ser acessado.
E, ainda assim, é difícil apontar o quê.
O que é esse alimento?
O que quer ser criado?
Eu soube, assim que caiu na mesa, que A Morte anunciava uma pausa necessária.
Quando a vida não acompanha o que intencionamos criar, ou mudamos de criação, ou mudamos de vida. Já tentei mudar de criação algumas vezes. Ainda não deu certo. Para explorar outras vias, porém, é necessária uma pausa indeterminada neste projeto.
Quando comecei a escrever aqui, a pergunta-norte era “como posso viver uma vida mais criativa?”. Por trás dela, outra: o que posso criar, enquanto busco essa resposta? Esta pausa traz uma conclusão precipitada: talvez seja um projeto ainda maior do que algo que se faça entre mãos e pensamentos; talvez seja a própria vida.
A verdade é que não estou com pressa de chegar a respostas.
A quem contribuía, meu muito obrigado. Todas as assinaturas foram congeladas por mim, manualmente, através do Substack.
E a quem lê com frequência e encontrou uma correspondência aqui, eu espero que o que foi construído até agora ainda sirva para inspirar ou elaborar ideias que não tinham encontrado uma via de escape.
Ás, e grato pela companhia,
Mikael




